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Desejo e satisfação, egocentrismo?

Os etobiologistas (ver Desmond Morris, “O macaco nu” ou ainda “O Gene egoísta” de Richard Dawkins), sempre evolucionistas, explicam o sentimento como a reação humana, somatizável ou não, decorrente do intervalo entre um estímulo e sua satisfação. Por exemplo, se você está com vontade de comer uma barra de chocolate e assim que deseja se satisfaz, provavelmente nada vai sentir: apenas uma breve satisfação.

Se o intervalo entre desejo e satisfação se amplia, surge a alegria ao satisfazer-se. Se o intervalo se amplia mais, no interim teremos ansiedade. Se mais ainda, teremos irritação. Se alguém te impede de comer a barra, os sentimentos pela não satisfação se transferem para a pessoa que retém o objeto de desejo. Se este alguém te impede arbitrariamente e o tempo se torna longo demais, surge o ódio. E por aí vai. No outro extremo, se o intervalo de tempo tende a zero, não há sentimentos.

O que a grande maioria concorda é que o sentimento é fruto de um desejo. Os desejos buscam satisfação egocêntrica. Freud muito apropriadamente chama “ego” este eu exigente à procura de satisfação. Seja satisfação carnal, seja de alma.

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